O desenvolvimento da "FastMRI": uma ressonância magnética mais rápida e confortável

    Juntamente com o raio-X, a tomografia computadorizada (TC) e a ultrassonografia, a ressonância magnética (RM) encontra-se entre os principais testes de diagnóstico por imagem utilizados atualmente. Possibilitando a obtenção de imagens de alta resolução de forma relativamente segura - uma vez que não emprega radiação ionizante -, o exame apresenta diversas aplicações na área médica, dentre as quais destaca-se a identificação de tumores, traumas ortopédicos e infecções.
    Contudo, apesar da enorme importância atribuída à RM, grande parte dos pacientes concorda que a realização do exame pode ser extremamente desconfortável. Nesse contexto, a maior parte das reclamações gira em torno da necessidade de se permanecer praticamente imóvel dentro de um "tubo fechado" durante mais de quarenta minutos, ouvindo um som alto e constante durante todo o procedimento. Em virtude disso, a realização do exame torna-se especialmente difícil para crianças, bem como para pessoas que sofrem de enxaqueca e claustrofobia - de modo que, em casos extremos, pode ser necessária a sedação desses pacientes.


    Porém, não há motivo para desânimo já que, segundo a matéria "Inteligência artificial pode tornar ressonâncias magnéticas mais rápidas" - publicada em agosto deste ano pela revista Superinteressante -, um grupo de pesquisadores do Facebook AI, em associação com radiologistas do Centro Médico
NYU Langone, acabam de desenvolver o Fast MRI, um sistema capaz de tornar o exame até quatro vezes mais rápido. 

    Antes de entrar em detalhes sobre a nova modalidade de ressonância magnética, vamos entender - de forma bem simples - como uma ressonância magnética é capaz de captar imagens dos diversos tecidos do nosso corpo.

O funcionamento de uma ressonância magnética

    
    Em primeiro lugar, deve-se lembrar que entre 70% e 75% do corpo humano é composto por água. Sendo assim, esse é dotado de uma grande quantidade de átomos de hidrogênio, cujos núcleos contém um único próton.
     Tais prótons, por sua vez, apresentam um spin, isto é, um movimento de rotação em torno de seu eixo. Como consequência de tal spin, os prótons geram um campo magnético, o qual desempenha um "movimento de giro", semelhante ao de um peão.


    A partir disso, a máquina de ressonância magnética gera um campo magnético muito intenso, com o intuito de alinhar aqueles gerados pelos núcleos de hidrogênio presentes no corpo do paciente. Concomitantemente, ela emite ondas eletromagnéticas dotadas de mesma frequência do “movimento de giro” desempenhado pelo campo magnético dos núcleos de hidrogênio, aumentado, por ressonância, sua amplitude. 


    Semelhante "movimento de giro", quando ampliado mediante ressonância, passa a gerar um campo magnético variável em bobinas presentes no interior do “tubo” da máquina de ressonância magnética, o qual induz correntes elétricas nelas. Com base nas características dessas correntes elétricas – as quais variam em função dos diferentes tecidos que as geraram – formam-se as imagens.

O que torna a Fast MRI mais rápida?

    A inovação, no caso da “FastMRI” reside na utilização de inteligência artificial no sistema responsável por gerar as imagens, as quais, de acordo com a reportagem, podem ser obtidas a partir de 25% dos dados coletados no exame tradicional. Tal processo baseou-se em uma técnica denominada “Deep Learning”, isto é, a máquina “estudou” uma série de ressonâncias e, a partir de parâmetros estabelecidos pelos pesquisadores, tornou-se capaz de completar as imagens obtidas a partir de novos exames mais rápidos.

Resultados e perspectivas

    Os primeiros resultados obtidos pelo “FastMRI” foram, no mínimo, surpreendentes. Segundo a Superinteressante, dos seis radiologistas convidados para comparar imagens produzidas pelos exames do tipo padrão e rápido, cinco não foram capazes de diferenciá-los e todos classificaram como superior a qualidade daquelas obtidas pelo segundo tipo.

    Com efeito, o desenvolvimento inicial do “FastMRI”, junto a seus excelentes resultados iniciais divulgados pela revista Superinteressante, podem se mostrar de grande utilidade para a saúde pública a médio e longo prazo
    Mesmo em fase de testes, semelhante técnica tem, a meu ver, um grande potencial no que tange à ampliação de diagnósticos precoces de doenças graves como, por exemplo, o câncer, uma vez que poderá servir como estímulo para que muitos pacientes – antes receosos diante da perspectiva de realizar um “exame desagradável” – busquem atendimento médico com mais frequência.


Esta postagem se baseou em informações extraídas das seguintes fontes:





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